
Com milhões de coisas para fazer, atropelei-me e pus mãos num projecto que venho a adiar há muito tempo: transformar o antigo quarto da Suzy num estúdio de pintura/desenho/fotografia, porque isto já são demasiadas ideias para trabalhar no chão da sala a ver SIC Radical.
O segundo andar da casa está basicamente populado por caixas de cartão cheias de tralha/tesouros e móveis que fui deixando para trás nas minhas deambulações. Com grande alegria encontrei coisas que nem me lembrava não ter perdido, entre elas os frutos dum workshop de foto-novela que não cheguei a concluir (Olá Geraldine, desculpem lá a maçada), isto há cerca de um ano e trocos, pouco antes de fugir para a Turquia, uma época de grande instabilidade, lançava-me em projectos com ganas tão grandes como o desdém com que depois os abandonava. Felizmente há medicação para isso, e tenho a felicidade de partilhar hoje estas imagens em paz.
Isto não são os originais, quer dizer, não são os ficheiros digitais que criámos naquela noite, mas sim impressões que fiz ali no FotoBruno, as únicas sobreviventes do meu desprezo. Se bem me lembro, apenas a última foi editada antes da impressão, o resto está tal e qual saiu da máquina, e depois da impressora, e depois do meu scannerzito ranhoso.

Esta série pretendia ilustrar um conto que tinha na cabeça por altura do workshop, apontado sobre o joelho na primeira aula. Um belo conto, se bem me recordo, que pretendo partilhar mais tarde (perdido algures num disco externo). Sou capaz de ilustrá-lo com uma destas (inclino-me para a última), mas a foto-novela fica inacabada. Tanto melhor.





Quiçá a minha preferida da série, esta última. Trouxemos a tralha toda connosco para a Geraldine, o candeeiro da minha avó, a colcha da minha mãe, as minhas revistas e livros, o Esdrúbal, esse grande maluco. Hoje não a teria editado com filtros e não sei quê, a foto era boa o suficiente para não levar tretas em cima, e ficou demasiado escura. Mas gosto bastante da mancha de negro ali no meio, não me lembro como lá foi parar mas foi nesse estado que encontrei a foto, numa pasta bolorenta.
Já agora: adorava conhecer fotógrafos, os meus amigos e companheiros nas artes estão todos emigrados, não tenho ninguém com quem brincar às imagens e fazer coisas maradas. Digam-me um olá!
